A Polícia Federal deflagrou, em 7 de julho de 2026, a Operação Fake Fisher, em São Luís, para investigar um possível esquema de fraude na obtenção do Seguro-Defeso no Maranhão. Segundo a corporação, a apuração identificou até o momento 552 benefícios considerados suspeitos e um prejuízo estimado em aproximadamente R$ 3,7 milhões aos cofres públicos.
A operação cumpriu quatro mandados de busca e apreensão em residências e escritórios profissionais na capital maranhense. As medidas foram autorizadas pela Justiça e fazem parte de uma investigação que busca esclarecer como os pedidos foram viabilizados, quem participou das eventuais irregularidades e qual foi a extensão do dano ao sistema previdenciário.
De acordo com a Polícia Federal, a organização criminosa investigada envolveria um escritório de advocacia e intermediários responsáveis por cadastrar pessoas que não teriam vínculo real com a pesca artesanal. A suspeita é que esses registros tenham sido utilizados para solicitar o benefício destinado a profissionais que dependem da atividade pesqueira.
O que a investigação apura
A Operação Fake Fisher é um desdobramento da Operação Fake ID, iniciada em 2023. A nova etapa concentra-se em possíveis fraudes relacionadas ao Seguro-Defeso e na atuação de pessoas que teriam intermediado ou organizado os cadastros considerados irregulares.
A Polícia Federal informou que a investigação ainda está em andamento. Por isso, a quantidade de envolvidos, a participação individual de cada investigado e o alcance total do esquema ainda precisam ser definidos ao longo da apuração. Os dados divulgados até agora correspondem aos benefícios classificados como suspeitos e à estimativa inicial de prejuízo.
Os investigados podem responder por estelionato majorado contra o Instituto Nacional do Seguro Social, associação criminosa e falsificação de documento público. A responsabilização dependerá da análise das provas reunidas durante as buscas e das demais diligências realizadas pelas autoridades.
Como funciona o Seguro-Defeso
O Seguro-Defeso é um benefício destinado a pescadores artesanais profissionais durante o período em que a pesca fica proibida para proteger a reprodução das espécies. A interrupção temporária da atividade reduz a possibilidade de geração de renda para trabalhadores que dependem diretamente da pesca, razão pela qual o benefício tem importância econômica para essas comunidades.
No Maranhão, o Governo Federal informou, em novembro de 2025, que seriam realizadas entrevistas e orientações para garantir o acesso ao Seguro-Defeso. Conforme a Fundacentro, em iniciativa relacionada ao Ministério do Trabalho e Emprego, o atendimento considerava o período de defeso dos meses de novembro, dezembro e janeiro.
A existência de critérios e procedimentos para o acesso ao benefício torna necessária a apresentação de informações compatíveis com a atividade profissional exercida. É justamente sobre a possível inclusão de pessoas sem vínculo real com a pesca artesanal que se concentra a investigação conduzida pela Polícia Federal em São Luís.
Próximos passos da apuração
Com o cumprimento dos mandados, documentos e outros materiais localizados nos endereços investigados deverão ser analisados pela força-tarefa. A avaliação poderá ajudar a esclarecer a origem dos cadastros, a forma de atuação dos intermediários e a eventual participação do escritório de advocacia citado na investigação.
A Polícia Federal também deverá verificar se os 552 benefícios suspeitos fazem parte de um único núcleo de atuação ou se estão relacionados a diferentes pessoas e procedimentos. A apuração poderá apontar ainda se o prejuízo estimado de R$ 3,7 milhões representa a totalidade dos pagamentos considerados irregulares ou apenas o valor identificado nesta fase.
Até a conclusão do inquérito e de eventual processo judicial, os investigados são tratados como suspeitos. A operação tem como objetivo reunir elementos sobre possíveis crimes contra o sistema previdenciário e proteger recursos destinados a trabalhadores que atendam aos requisitos do Seguro-Defeso.










