A tiquira produzida no Maranhão recebeu o reconhecimento de Indicação Geográfica, na modalidade Indicação de Procedência, pelo Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI). A decisão foi divulgada em 22 de setembro de 2026 e representa um marco para a valorização de uma bebida tradicional elaborada a partir da mandioca e associada à cultura das comunidades produtoras da região dos Lençóis Maranhenses e do Baixo Parnaíba.
Segundo o INPI, a área reconhecida abrange os municípios de Santo Amaro do Maranhão, Barreirinhas, Urbano Santos, Santana do Maranhão e Santa Quitéria do Maranhão. A delimitação territorial relaciona oficialmente a produção da bebida a esse conjunto de municípios maranhenses.
Como a tiquira é produzida
A tiquira é obtida por meio da fermentação alcoólica e da posterior destilação de beijus, preparados com mandioca. O processo está ligado a práticas artesanais mantidas por famílias e pequenos alambiques, em uma tradição que atravessa gerações e permanece presente no cotidiano das comunidades produtoras.
De acordo com a documentação apresentada ao instituto, há registros da fabricação da bebida no Maranhão desde o período colonial. A origem do nome também está relacionada à história indígena: o termo “tiquira” deriva da palavra tupi “tykir”, associada à ideia de cair gota a gota, em referência ao processo de destilação.
O reconhecimento oficial não transforma automaticamente toda bebida produzida ou comercializada no Maranhão em produto habilitado a utilizar a Indicação de Procedência. O uso da identificação geográfica depende do cumprimento das regras estabelecidas para a área delimitada e para o processo de fabricação.
O que muda com a Indicação de Procedência
A Indicação de Procedência identifica um território que se tornou conhecido pela produção de determinado bem ou serviço. No caso da tiquira, o registro reconhece a relação entre a bebida e o território maranhense definido no processo, permitindo diferenciar os produtos que atendam às exigências previstas no regulamento.
O INPI explica que as Indicações Geográficas podem contribuir para preservar métodos tradicionais, ampliar o acesso a mercados e estimular o desenvolvimento regional. A proteção também ajuda a evitar o uso indevido do nome geográfico por produtos que não estejam de acordo com as condições estabelecidas.
No caso da tiquira maranhense, o Caderno de Especificações Técnicas define regras para o processo produtivo, padrões físico-químicos e mecanismos de controle. Esses critérios são fundamentais para que produtores e consumidores tenham referências sobre a origem e as características da bebida.
Tradição e oportunidade para os municípios
A área reconhecida reúne localidades com forte ligação com a produção rural e com o turismo dos Lençóis Maranhenses. A associação entre a bebida, a mandioca e os saberes transmitidos nas comunidades pode ampliar a visibilidade de uma atividade tradicional e criar novas possibilidades de valorização comercial para os produtores dos cinco municípios.
Para o consumidor, a Indicação de Procedência funciona como uma referência de origem e de conformidade. Para os produtores, o registro pode favorecer a diferenciação da tiquira no mercado, desde que sejam observadas as exigências técnicas e os mecanismos de controle previstos para o uso da indicação.
A medida também reforça a identidade gastronômica do Maranhão. A bebida passa a contar com um reconhecimento institucional que conecta sua produção artesanal à história, à cultura e ao território onde ela é elaborada. A consulta às informações técnicas do registro pode ser feita na base de Fichas Técnicas de Indicações Geográficas do INPI.
Com a decisão, a tiquira se junta a produtos brasileiros que utilizam a origem geográfica como instrumento de proteção e valorização. No Maranhão, o reconhecimento coloca em evidência uma prática tradicional ligada à mandioca e às comunidades dos Lençóis Maranhenses e do Baixo Parnaíba, fortalecendo a conexão entre produção local, cultura e economia regional.










