Maranhão avança rumo ao primeiro data center verde de inteligência artificial do país
Maranhão avança rumo ao primeiro data center verde de inteligência artificial do país
Tecnologia

Maranhão avança rumo ao primeiro data center verde de inteligência artificial do país

Projeto batizado de LUMEN vai funcionar com energia 100% renovável e nasce em parceria com universidades e instituições públicas

O Maranhão deu um passo concreto para se tornar protagonista na infraestrutura brasileira de inteligência artificial. A Secretaria de Estado de Desenvolvimento Econômico e Programas Estratégicos assinou um protocolo de intenções com a empresa TED IA para viabilizar o que vem sendo chamado de primeiro data center verde de IA do país, batizado de LUMEN. O empreendimento será instalado na futura Zona de Processamento de Exportação do Maranhão, a ZPE-MA.

A proposta do LUMEN é abastecer toda a estrutura computacional exclusivamente com fontes de energia renovável, seguindo a legislação em vigor para esse tipo de empreendimento. Além da operação limpa, o projeto prevê funcionamento em consórcio com universidades e instituições públicas, com foco na formação de talentos locais, no desenvolvimento de aplicações de interesse coletivo e na difusão de conhecimento técnico dentro do estado.

Para o assessor de Apoio Institucional da SEDEPE, Fabrício Brito, a iniciativa representa um marco para o ambiente digital maranhense.

Segundo ele, a segurança e a soberania de dados são elementos primordiais no projeto, e uma inteligência artificial desenvolvida localmente, com data center próprio, tende a reduzir custos e impulsionar novos negócios digitais no estado. Brito também mencionou a participação recente do Maranhão em eventos internacionais de tecnologia, como a Rio Innovation Week, como parte da estratégia de conectar o projeto a discussões globais sobre inovação e sustentabilidade.

O momento escolhido para esse tipo de investimento não é aleatório. O Brasil vive uma corrida por se consolidar como hub global de data centers voltados à inteligência artificial, aproveitando justamente a abundância de energia renovável em diferentes regiões do país. Projetos semelhantes já avançam em estados como Rio Grande do Sul, Paraná e Ceará, além de uma iniciativa recente anunciada para a região amazônica, com sede em Belém.

Esse movimento nacional é impulsionado, em parte, por incentivos regulatórios em discussão no Congresso. O programa conhecido como Redata prevê benefícios tributários para data centers que operem com cem por cento de energia renovável e sem uso de água, além de exigir que uma parcela do investimento seja destinada a pesquisa e desenvolvimento dentro do país. A votação dessa medida, inicialmente prevista para o fim de 2025, acabou adiada, e seu conteúdo passou a tramitar junto ao projeto de lei que regulamenta a inteligência artificial no Brasil.

No caso maranhense, empresários locais também têm reforçado a leitura de que o estado vive um momento estratégico nessa área.

Empreendedores ligados ao setor de tecnologia destacam que a matriz energética limpa do Maranhão é um diferencial competitivo diante de outros estados, já que a infraestrutura de data center depende cada vez mais de fontes renováveis para atender exigências ambientais e comerciais do mercado global.

Do ponto de vista técnico, a responsabilidade pela operação e pelo investimento no LUMEN caberá à própria TED IA, que se comprometeu a manter a estrutura funcionando apenas com energia limpa. A escolha da ZPE-MA como localização também não é casual, já que zonas de processamento de exportação costumam oferecer regimes tributários específicos, o que pode tornar o projeto mais atrativo para investidores interessados em capacidade computacional de alta performance.

Para o governo estadual, o projeto tem relevância que ultrapassa os limites do Maranhão. Entre os objetivos declarados estão o reforço da soberania digital brasileira, o avanço em segurança de dados e o fortalecimento da posição do país na disputa internacional por infraestrutura de inteligência artificial, um setor que tem atraído bilhões de dólares em investimentos ao redor do mundo nos últimos anos.

Ainda não há uma data de operação plena confirmada para o LUMEN, e a implantação de projetos dessa escala costuma levar tempo até sair do papel. Ainda assim, o protocolo assinado marca um ponto de partida institucional que coloca o Maranhão no radar de um debate que hoje movimenta praticamente todos os estados brasileiros com potencial energético renovável.

Fontes: Jornal Pequeno | FENATI | Mirante News | Exame