Márcio André Savi
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Rastreabilidade de resíduos: O dado consegue fechar o ciclo da gestão?

Para ilustrar essa questão, o engenheiro Márcio André Savi explica que a gestão de resíduos sólidos não se resume à coleta e ao transporte, mas também à necessidade de se saber o que aconteceu com cada carga até a destinação final. A rastreabilidade organiza registros dispersos em informações úteis para fiscalização, planejamento e aprimoramento operacional.

O tema ganhou força com a digitalização da logística reversa e com a necessidade de comprovar resultados ambientais. No Brasil, o Manifesto de Transporte de Resíduos, também conhecido como MTR, é responsável por acompanhar a movimentação desde a geração até a destinação ambientalmente adequada. A lógica é simples: o resíduo deixa de desaparecer entre uma etapa e outra.

Esse controle não se destina apenas a atender a uma exigência documental. Quando os dados são confiáveis, o gestor tem a capacidade de localizar gargalos, comparar fluxos e identificar se materiais recuperáveis estão chegando ao destino correto. Nesse caso, a tecnologia organiza a responsabilidade compartilhada pelo ciclo de vida dos produtos.

O que a rastreabilidade muda na logística reversa?

A logística reversa, por sua vez, consiste no retorno de produtos e embalagens para reaproveitamento, reciclagem ou destinação adequada. Na ausência de informações pertinentes à origem, à quantidade, ao transporte e ao recebimento, o sistema se vê restrito a declarações cuja veracidade se torna difícil de comprovar. A rastreabilidade estabelece uma sequência de registros que conecta os participantes da cadeia.

Márcio André Savi está presente nesse debate devido ao fato de que a engenharia estabelece uma relação entre fluxo físico e controle de processo. Um painel pode exibir um grande volume de movimentações, porém, o dado só adquire valor quando corresponde a uma carga identificada, a um transportador habilitado e a uma unidade de recebimento capaz de comprovar o tratamento realizado.

A integração também reduz a duplicidade de informações. Sistemas públicos e plataformas privadas podem compartilhar dados, desde que adotem padrões de interoperabilidade, proteção de informações e trilhas de auditoria. O objetivo não é gerar mais uma camada burocrática, mas permitir que diferentes registros descrevam o mesmo trajeto.

Quais informações precisam ser acompanhadas?

O primeiro conjunto de dados refere-se à origem. É imprescindível identificar o gerador, a natureza do resíduo, a quantidade e as condições de acondicionamento. Essa etapa é fundamental para a separação de fluxos incompatíveis e para evitar que materiais perigosos, recicláveis e rejeitos sejam tratados de forma conjunta.

Márcio André Savi
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Na etapa seguinte, entram transporte e recebimento. O registro deve permitir verificar quem movimentou a carga, para onde ela foi encaminhada e se a unidade receptora confirmou a entrada. Márcio André Savi observa que o valor da informação está na continuidade: um dado isolado não comprova o resultado de uma cadeia complexa.

Por fim, a destinação precisa ser registrada com clareza. Reciclagem, tratamento, recuperação energética e disposição final são processos distintos que não devem ser utilizados como sinônimos nos sistemas de gestão. Essa diferenciação aprimora os relatórios, orienta políticas públicas e possibilita a correção de rotas com base em evidências.

A rastreabilidade só cumpre sua função quando há consequências práticas. Caso os registros indiquem que uma determinada região envia um volume significativo de recicláveis para aterros, a resposta pode envolver a revisão do serviço de coleta seletiva, a revisão dos contratos ou o aprimoramento do processo de triagem. O dado não substitui a gestão, mas indica onde ela precisa atuar.

Essa mesma lógica é aplicável a empresas, municípios e entidades gestoras. É importante ressaltar que o acúmulo de informações não é sinônimo de melhor desempenho. Para tanto, é preciso definir indicadores, responsáveis, prazos de atualização e procedimentos para corrigir inconsistências. Na ausência de uma governança adequada, a plataforma tem a tendência de apenas replicar falhas pré-existentes.

Márcio André Savi, como profissional da área de engenharia, está associado a uma leitura que combina operação, infraestrutura e gestão ambiental. Para a logística reversa avançar, a rastreabilidade deve ser vista como ferramenta de decisão, não como arquivo final do processo.

Quando o resíduo deixa de ser um ponto cego

A gestão de resíduos sólidos amadurece quando é possível acompanhar o material após o descarte, sem que haja perda da sua trajetória entre a coleta, o transporte, o tratamento e a destinação. Conforme o ponto de vista de Márcio Andre Savi, o percurso mencionado possibilita a verificação de resultados e o aprofundamento da política ambiental no contexto real.

O próximo passo não se resume apenas à reunião de mais dados. É imprescindível assegurar que sejam comparáveis, auditáveis e úteis para quem precisa planejar, fiscalizar ou corrigir uma etapa. Assim, a rastreabilidade deixa de ser uma mera formalidade e passa a fechar o ciclo de responsabilidade sobre os resíduos.