Corrida pelo governo do Maranhão vira empate técnico entre Braide e Orleans Brandão a menos de 100 dias das eleições
Corrida pelo governo do Maranhão vira empate técnico entre Braide e Orleans Brandão a menos de 100 dias das eleições
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Corrida pelo governo do Maranhão vira empate técnico entre Braide e Orleans Brandão a menos de 100 dias das eleições

Pesquisa mais recente mostra disputa acirrada pelo Palácio dos Leões, enquanto Carlos Brandão, impedido de concorrer, tenta viabilizar a sucessão do sobrinho.

A disputa pelo governo do Maranhão entrou em uma fase de forte indefinição. Levantamento do instituto Econométrica, divulgado em maio, mostra o prefeito afastado de São Luís, Eduardo Braide (PSD), com 39,6% das intenções de voto no cenário estimulado, praticamente empatado com o secretário estadual Orleans Brandão (MDB), que aparece com 39,1%. Atrás deles estão Lahesio Bonfim (Novo), com 8,6%, e o vice-governador Felipe Camarão (PT), com 4,6%.

O quadro é diferente do observado em março, quando a Paraná Pesquisas apontava vantagem mais confortável de Braide sobre Orleans. A aproximação dos números levanta a pergunta que já mobiliza o eleitorado maranhense: depois de doze anos de domínio de um mesmo grupo político no Palácio dos Leões, o estado está mesmo caminhando para uma alternância de poder, ou o governismo consegue reverter a corrida até outubro?

Como chegou-se ao atual quadro eleitoral

O atual governador, Carlos Brandão (sem partido), não pode concorrer à reeleição porque já cumpriu dois mandatos consecutivos no comando do estado, primeiro como vice de Flávio Dino, depois eleito por conta própria em 2022 com 51,29% dos votos válidos. Por isso, ele decidiu apoiar o sobrinho, Orleans Brandão, ex-secretário de Assuntos Municipalistas, para tentar dar sequência ao grupo político que governa o Maranhão desde a gestão de Dino. Orleans conta com apoio de 11 partidos e uma estrutura de campanha construída a partir de contatos com prefeitos de 182 dos 217 municípios maranhenses, segundo reportagens sobre o tema.

Do outro lado está Eduardo Braide, que deixou a prefeitura de São Luís em março para se dedicar à pré-campanha depois de ser reeleito, em 2024, com 70,12% dos votos no primeiro turno. A popularidade de Braide como gestor da capital é frequentemente citada em pesquisas nacionais sobre avaliação de prefeitos, o que ajudou a projetá-lo como o principal nome de oposição ao grupo governista. Já Lahesio Bonfim, médico e ex-prefeito de São Pedro dos Crentes, chegou em segundo lugar na disputa de 2022, com 24,87% dos votos, e tenta uma nova candidatura com discurso voltado ao interior e ao agronegócio. Felipe Camarão, vice-governador e ex-secretário de Educação na gestão Dino, rompeu com o núcleo governista após não ser escolhido como candidato apoiado pelo Palácio dos Leões e passou a buscar apoio externo, incluindo do presidente Lula, para tentar crescer nas pesquisas.

O que está em jogo além do nome do próximo governador

A eleição de outubro também vai medir a avaliação da gestão de Carlos Brandão, que aparece com índices de aprovação relativamente altos em pesquisas realizadas ao longo do primeiro semestre. Esse capital político é hoje o principal argumento da candidatura de Orleans Brandão, que tenta se apresentar como continuidade de obras estruturantes citadas com frequência pelo governo estadual, como intervenções de mobilidade na Grande São Luís. Já a candidatura de Braide aposta na força de sua avaliação como prefeito da capital para tentar romper com essa continuidade.

O pleito de 2026 no Maranhão está marcado para o dia 4 de outubro, em turno único para as eleições municipais legislativas e proporcionais, mas com possibilidade de segundo turno em 25 de outubro para o governo do estado, caso nenhum candidato atinja mais da metade dos votos válidos. Mais de 5 milhões de eleitores maranhenses estão aptos a votar para presidente, senador, deputado federal, deputado estadual e governador. Também estão em disputa duas vagas no Senado, atualmente ocupadas por Weverton Rocha (PDT) e Eliziane Gama, que já declararam disposição de buscar a reeleição, em um cenário que também deve envolver nomes como Roberto Rocha e Roseana Sarney, segundo o histórico de pesquisas divulgadas neste ano.

Um cenário ainda aberto até a convenção dos partidos

Apesar do empate técnico entre os dois principais nomes, analistas políticos que acompanham o estado destacam que a corrida ainda está sujeita a mudanças relevantes até as convenções partidárias, quando as candidaturas se tornam oficiais e as alianças municipais se consolidam. A avaliação do governo estadual, a capilaridade de cada campanha no interior e o comportamento do chamado voto de transferência, aquele influenciado pela imagem de lideranças nacionais como Lula, devem seguir pesando nas próximas pesquisas.

Para o eleitor maranhense, o que fica claro até aqui é que a disputa deste ano rompe com o padrão de eleições anteriores, mais previsíveis, e caminha para um confronto real entre dois projetos de gestão para o estado. Acompanhar as próximas pesquisas registradas no TSE e o desenrolar das articulações municipais será fundamental para entender se o empate técnico atual se mantém, cresce ou se desfaz antes da votação de outubro.

Fontes consultadas: Repasse Informativo (pesquisa Econométrica) · Poder360 (Paraná Pesquisas) · Wikipédia, Eleições estaduais no Maranhão em 2026 · ND Mais