Tecnologia

A Corte do Maranhão realmente precisa investir em iPhones de última geração?

A recente notícia sobre o Tribunal de Justiça do Maranhão, que planeja gastar até R$ 573.399,50 na compra de 50 iPhones da versão mais avançada (iPhone 16 Pro Max), gerou grande repercussão entre os cidadãos e nos meios de comunicação. O valor de R$ 11.467,99 por aparelho chamou a atenção de muitos, levantando a questão: a Corte do Maranhão realmente precisa de smartphones tão caros para suas atividades? A decisão de optar por aparelhos da Apple, uma marca considerada premium, ao invés de alternativas mais acessíveis, gerou discussões sobre a real necessidade desse tipo de investimento.

O edital que prevê a aquisição dos dispositivos trouxe à tona argumentos de que os iPhones seriam escolhidos com base em critérios técnicos e operacionais que se adequam às exigências do tribunal. O primeiro critério mencionado pela Corte foi a “ausência de travamentos”, buscando assegurar um desempenho sem interrupções nos sistemas judiciais. Embora no passado o iPhone tenha sido amplamente reconhecido por seu desempenho superior, hoje há várias outras marcas que oferecem smartphones com especificações semelhantes. Modelos de alto desempenho da Samsung, Xiaomi e outras marcas competem diretamente com a Apple, oferecendo uma experiência sem travamentos a preços significativamente mais baixos.

Além do desempenho, o segundo critério apresentado foi a “segurança avançada” para proteger dados sensíveis e sigilosos. A Apple sempre foi conhecida por seu sistema fechado e robusto em termos de segurança, o que se reflete na confiança que muitos usuários depositam nos seus dispositivos. No entanto, concorrentes como a Motorola e a Samsung também têm investido em soluções de segurança avançadas, com a Motorola oferecendo o Moto Secure e a Samsung com seu sistema Knox, ambos com mecanismos de proteção de dados que podem ser considerados tão eficazes quanto os da Apple.

O terceiro ponto levantado foi a “durabilidade e suporte prolongado”, com o tribunal alegando que esses dispositivos reduzirão a necessidade de reposição a curto prazo, representando uma economia a longo prazo. É verdade que o iPhone tem um histórico de longevidade, com a Apple oferecendo atualizações constantes por vários anos. No entanto, outras fabricantes como a Samsung têm demonstrado um compromisso semelhante com a durabilidade, oferecendo até sete anos de atualizações de software. Recentemente, a Honor, uma marca chinesa, também anunciou que suas linhas de smartphones terão suporte prolongado, o que coloca em dúvida a necessidade exclusiva de optar pela Apple nesse quesito.

A argumentação da Corte do Maranhão também incluiu o “alto desempenho para transmissões ao vivo e videoconferências”, fundamentais para a realização de audiências e sessões híbridas. Embora a Apple seja famosa por ter câmeras de alta qualidade, outras marcas, como a Xiaomi, têm feito grandes avanços nesse sentido. O Xiaomi 15 Ultra, por exemplo, possui câmeras com até 200 megapixels e é capaz de gravar vídeos em super slow motion, a 1.920 quadros por segundo. Isso demonstra que, mesmo para funções como videoconferências e transmissões ao vivo, outros dispositivos de marcas não-Apple oferecem desempenho comparável.

A grande pergunta, portanto, é se a escolha dos iPhones, que custam consideravelmente mais do que outros smartphones com características semelhantes, é realmente justificada. A Corte do Maranhão alegou que o preço mais alto seria compensado pela qualidade e longevidade dos aparelhos, mas a verdade é que opções mais em conta podem atender perfeitamente às necessidades de desempenho e segurança do tribunal, sem comprometer o orçamento público de forma tão expressiva.

Diante das críticas e do debate público gerado por essa decisão, o edital foi reavaliado, e a compra dos iPhones está sendo revista. A possibilidade de um chamamento aberto a outras marcas de smartphones é agora uma alternativa viável, já que o mercado de dispositivos Android oferece características técnicas que atendem aos mesmos requisitos do tribunal. Além disso, a crise de confiança gerada por essa compra pode ser um fator importante para a reavaliação do processo.

Ao final, a questão que permanece é se a Corte do Maranhão realmente precisa de iPhones de última geração, ou se poderia obter resultados igualmente satisfatórios com aparelhos mais acessíveis e de fabricantes concorrentes. A resposta a essa pergunta pode influenciar decisões futuras sobre como o poder público gerencia seus recursos e adquire tecnologias para o serviço público, buscando sempre a melhor relação custo-benefício.

Autor: Dmitry Petrov
Fonte: Assessoria de Comunicação da Saftec Digital