Estado avançou 4% no produto interno bruto no ano passado, acima da média brasileira, mas ainda convive com 32,5% da população em situação de insegurança alimentar
O Maranhão encerrou 2025 com um resultado econômico que contrasta com sua imagem histórica de estado mais pobre do Brasil. Segundo o Instituto Maranhense de Estudos Socioeconômicos e Cartográficos (IMESC), o estado encerrou 2025 com aumento de 4% no PIB, acima da média nacional, que foi de 2,3% no mesmo período. Os números refletem o avanço de setores como a construção civil, o comércio e a logística, mas escondem contradições que os candidatos ao governo estadual já transformaram em pautas de campanha para outubro. ND Mais
Crescimento econômico convive com desafios sociais
A face mais dura dessa realidade fica clara em outro dado. O estado tem 32,5% da população sob insegurança alimentar e nutricional, segundo dados da PNAD/IBGE divulgados em novembro de 2025. Crescer acima da média nacional em termos de PIB ao mesmo tempo em que mais de um terço da população não tem acesso seguro à alimentação é uma das contradições mais visíveis do Maranhão contemporâneo, e que nenhuma plataforma eleitoral consegue ignorar. ND Mais
Programas sociais buscam reduzir a vulnerabilidade
Para responder a esse quadro, o governo estadual do MDB apostou em programas de transferência de renda complementar. O programa Maranhão Livre da Fome fornece auxílio financeiro adicional de R$ 200 para beneficiários do Bolsa Família, combinado com o encaminhamento a programas de qualificação profissional. A iniciativa tenta ir além da assistência imediata ao criar uma ponte entre o benefício social e a inserção no mercado de trabalho, ainda que críticos questionem a efetividade dessa articulação em um estado onde a informalidade é estrutural. ND Mais
Informalidade continua sendo um dos maiores desafios
O Maranhão é líder em informalidade no Brasil. Segundo o IBGE, 58,4% da população trabalhava sem carteira assinada em 2025. Esse percentual é o maior do país e revela que o crescimento do PIB ainda não se converteu em trabalho formal, com proteção previdenciária e direitos trabalhistas. Para a maioria dos maranhenses, a economia cresce em setores que não geram emprego de carteira assinada, o que amplia a vulnerabilidade diante de qualquer oscilação. ND Mais
Obras de infraestrutura impulsionam a mobilidade
A infraestrutura tem sido outro campo de investimento do Governo do Estado. O governo investe em um pacote de obras de infraestrutura, com a Avenida Metropolitana e o prolongamento da Avenida Litorânea figurando entre as principais, ambas cruzando a Região Metropolitana de São Luís. As obras visam melhorar a mobilidade na capital e nos municípios vizinhos, aliviando gargalos logísticos que elevam o custo de vida e reduzem a competitividade do comércio local. ND Mais
Segurança pública também ganha prioridade
O Governo do Estado também tem feito investimentos em segurança pública, com viaturas, convocações de concursados e reformas de prédios para as polícias Militar e Civil. O Maranhão ocupa posição preocupante nos indicadores de violência: o Anuário Brasileiro da Segurança Pública, divulgado em 2025, mostra o Maranhão como sexto estado mais violento do Brasil, com 27,8 mortes violentas intencionais por 100 mil habitantes. ND MaisND Mais
Desigualdades regionais marcam o cenário estadual
A combinação de crescimento econômico com pobreza persistente, informalidade elevada e violência crescente no interior pinta um retrato de um estado em transição que ainda não conseguiu distribuir seus ganhos de forma ampla. São Luís tem avançado mais rapidamente do que o restante do estado: a aprovação da gestão de Eduardo Braide como prefeito foi a mais alta entre todas as capitais brasileiras, o que levou ao seu lançamento como pré-candidato ao governo.
Eleições colocam desafios estruturais em pauta
O Maranhão chega às eleições de outubro com mais alternativas do que nas últimas décadas, mas também com uma agenda de problemas que exige mais do que crescimento agregado: demanda transformações estruturais na educação, na formalização do trabalho e no acesso a serviços básicos que o crescimento do PIB, por si só, ainda não entregou.
Fontes consultadas:
Autor: Diego Rodríguez Velázquez










