Maranhão 2026: Braide, Orleans e o racha que pode encerrar 12 anos de esquerda no Palácio dos Leões
Maranhão 2026: Braide, Orleans e o racha que pode encerrar 12 anos de esquerda no Palácio dos Leões
Politica

Maranhão 2026: Braide, Orleans e o racha que pode encerrar 12 anos de esquerda no Palácio dos Leões

Eleições maranhenses opõem ex-prefeito de São Luís com aprovação histórica a sobrinho do governador com apoio de 182 prefeitos; vice-governador vai para a oposição

A política maranhense entrou em uma fase de turbulência que não se via desde a chegada de Flávio Dino ao poder em 2015. As eleições de 2026 podem marcar a não escolha da esquerda pela primeira vez em doze anos no Maranhão, e os movimentos dos últimos meses mostram que essa possibilidade é real. A disputa pelo Palácio dos Leões coloca frente a frente candidatos com perfis, bases e trajetórias muito distintas, em um estado que está reescrevendo seu mapa político. ND Mais

Eduardo Braide aposta na aprovação da gestão em São Luís

Eduardo Braide (PSD), apoiado pela alta aprovação como prefeito de São Luís, deixou a Prefeitura para tentar se eleger governador. A jogada saiu da única opção viável: reeleito em primeiro turno em 2024, ele não poderia disputar o mesmo cargo novamente e optou pelo salto ao Executivo estadual. Reeleito em primeiro turno com 70,12% dos votos em 2024, Braide obteve a maior votação para prefeito na história da capital e derrotou o candidato apoiado pelo Governo do Estado, o deputado federal Duarte Júnior. Esse resultado lhe deu legitimidade política para enfrentar uma estrutura governista muito maior. ND MaisND Mais

Orleans Brandão reúne ampla base de prefeitos

Do outro lado, a aposta governista recaiu sobre Orleans Brandão. O governador Carlos Brandão apoiou publicamente o lançamento da pré-candidatura do sobrinho, contando com a participação de 182 prefeitas e prefeitos no evento de lançamento. O Maranhão tem 217 municípios, o que significa que Orleans parte com o apoio declarado de aproximadamente 84% dos prefeitos, uma vantagem de capilaridade difícil de ignorar. O problema é que as pesquisas mostram um cenário diferente nas urnas. ND Mais

Rompimento no governo fortalece candidatura do PT

A maior surpresa do cenário maranhense veio de dentro do próprio campo governista. O vice-governador Felipe Camarão (PT) passou para a oposição após o governador Carlos Brandão não apoiá-lo para a sucessão, contrariando o que aliados do PT descrevem como um acordo político feito anteriormente. A cisão jogou Camarão na condição de candidato do PT ao governo, enquanto o presidente nacional do partido tentou amenizar o impasse afirmando que o lançamento da candidatura não representava ruptura com Brandão. ND Mais

STF e Congresso influenciam o cenário eleitoral

Além dos pré-candidatos ao governo, STF e Congresso também exercem influência no tabuleiro político do Maranhão. O ex-governador Flávio Dino, hoje no STF, deixou aliados no poder que protagonizam disputas públicas, e casos em tramitação na Suprema Corte envolvendo figuras do cenário local adicionam uma camada de imprevisibilidade ao pleito. ND Mais

Julgamento no STF entra no debate da campanha

Eduardo Braide também enfrenta um julgamento no STF relativo a uma lei proposta por ele enquanto era prefeito de São Luís, questionada pela Confederação Nacional dos Transportes e atualmente suspensa enquanto aguarda análise do mérito. A situação pode ser explorada pelos adversários para tentar abalar a imagem de um candidato que até agora se beneficia de uma aprovação excepcional. ND Mais

Capilaridade política desafia desempenho nas pesquisas

A família Brandão tem como reduto eleitoral o município de Colinas, e Orleans foi secretário estadual responsável pela interlocução entre o governo e os prefeitos municipais, o que explica a capilaridade construída no interior. Mas a capilaridade não garante votos em primeiro turno, e as pesquisas mostram Braide à frente, com a corrida podendo ir a segundo turno. ND Mais

Campanha será definida pelos principais desafios do estado

O Maranhão vive, assim, um desses momentos raros em que estrutura política e voto popular podem apontar em direções opostas. A definição final vai depender de como as campanhas se posicionarem nos temas que mais preocupam o eleitorado maranhense: segurança pública, pobreza e emprego.

Fontes consultadas:

Autor: Diego Rodríguez Velázquez